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Dia Mundial de Luta Contra a Tuberculose






Diagnóstico rápido e tratamento adequado são as principais armas no combate à doença. Cerca de seis mil pessoas morrem por ano no Brasil vitimadas pela Tuberculose, uma doença que se alastra na aglomeração urbana e que atinge a camada menos favorecida da população, os usuários de drogas ilícitas endovenosas e os portadores do vírus HIV.

 

De acordo com estimativa da Organização Mundial de Saúde (OMS), que fez uma avaliação sobre as ações de prevenção e distribuição de medicamentos para o tratamento da doença nos estados e municípios, o Brasil está entre os 22 países que concentram 70% dos casos de TB no mundo.

 

Estima-se que um terço da população brasileira também esteja infectada pelo bacilo da TB e os dados indicam a ocorrência de 116 mil casos da doença por ano no Brasil, dos quais são notificados aproximadamente 90 mil, ou seja, 26 mil casos não são diagnosticados por falta de acesso ao sistema de saúde ou por falha de diagnóstico. Além disso, somos o 14º em número de casos. O percentual de abandono do tratamento, conforme dados do Programa Nacional de Controle da Tuberculose do Ministério da Saúde (PNCT/MS) está em torno de 8% no país, chegando, em algumas capitais, ao valor de 30 a 40%, o que pode resultar em elevadas taxas de resistência aos medicamentos e de formas de TB mais graves. A Tuberculose é um forte marcador social e ainda carrega um grande estigma apresentando maior incidência nos locais onde as condições de saúde são mais precárias, caracterizando uma nítida desigualdade social.

 

Diagnóstico rápido é maneira eficaz de controle

 

A maneira mais eficaz de controlar a Tuberculose é através de um diagnóstico rápido e a aplicação do tratamento na totalidade dos casos. Segundo o presidente da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT), Dr. Antônio Carlos Lemos, a Tuberculose é transmitida pelos doentes, através da fala e da tosse e quanto mais cedo descobrir alguém doente na comunidade, mais rápido e fácil é a possibilidade de tratamento e interrupção da transmissão. ?Dessa forma, podemos quebrar a cadeia de transmissão da doença?, diz. O aumento na detecção de casos e o tratamento adequado, volta a enfatizar o presidente da SBPT, são as melhores formas de combater a TB nos países com alta incidência, como é o caso do Brasil. Dr.Lemos afirma que é preciso uma mobilização da sociedade civil no sentido de contribuir com a identificação de sintomáticos respiratórios (aqueles que têm tosse por um período de 3 semanas ou mais) e dos contatos domiciliares de pacientes que estão em tratamento para Tuberculose.

 

Nesses casos, a SBPT recomenda a procura de um serviço de saúde onde poderá ser feita a avaliação clínica, a fim de se diagnosticar com precisão a doença.

 

O presidente da SBPT diz, ainda, que é preciso investir mais em pesquisas para a produção de novas vacinas e medicamentos mais eficazes, que causem menos efeitos colaterais e encurtem o longo período de tratamento de 06 meses (principais causas de abandono do tratamento).

 

De acordo com Carlos Basília, secretário-executivo do Fórum Estadual de ONGs no combate à Tuberculose/RJ, embora antiga, a Tuberculose não é, como muitos ainda pensam, uma doença do passado. Para ele, essa situação alarmante deve-se a fatores como: desigualdade social, concentração populacional e processo de urbanização desordenado juntamente com as más condições de vida das camadas mais pobres da população. Ainda segundo Basília, sendo uma doença negligenciada, as ações governamentais no combate à tuberculose estão muito aquém de uma resposta efetiva de controle.

 

?É preciso facilitar o acesso ao SUS, oferecer um diagnóstico rápido e um tratamento de qualidade e humanizado para a população?, afirma. Além da busca de novos casos da doença e assistência ao paciente durante o tratamento, a atuação das ONGs é muito importante no combate ao estigma e ao preconceito associados a doença. ?É preciso vigiar, denunciar e cobrar políticas públicas de promoção da saúde e combate à Tuberculose?, afirma.

 

Fonte: Sociedade Brasileira de pneumologia e Tisiologia.

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