Hospitalização de idosos pode agravar problemas de saúde
Hospitalização deve ser indicada somente quando esgotadas outras ações
O Boletim Científico do Instituto de Estudos da Saúde Suplementar (IESS) agrupa resumos de publicações científicas de interesse para a saúde suplementar, selecionados entre as principais revistas científicas publicadas no Brasil e no mundo nas áreas de saúde, tecnologia, economia e gestão.
Em sua edição do terceiro bimestre de 2017, na seção de Economia & gestão, foi divulgado o estudo "Hospitalização em idosos: associação com multimorbidade, atenção básica e plano de saúde", originalmente publicado na Revista de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (v. 51, 2017, p. 1-10), de autoria de Bruno Pereira Nunes, Mariangela Uhlmann Soares, Louriele Soares Wachs, Pâmela Moraes Volz, Mirelle de Oliveira Saes, Suele Manjourany Silva Duro, Elaine Thumé e Luiz Augusto Facchini.
Segundo o estudo, as hospitalizações, principalmente se repetidas e prolongadas, podem produzir consequências negativas à saúde, como diminuição da capacidade funcional, da qualidade de vida e aumento da fragilidade. A hospitalização de idosos deveria ser indicada somente quando esgotadas outras ações e serviços para o manejo adequado dos agravos à saúde. Com o rápido aumento – absoluto e relativo – do envelhecimento populacional, a prevalência de idosos com múltiplos problemas crônicos é de 60%. Assim, é crescente o interesse na avaliação multidimensional dos idosos e nas implicações que a multimorbidade desencadeia para a organização e oferta de ações e serviços de saúde.
Para tanto, foi avaliada a associação da multimorbidade, do modelo de atenção básica e da posse de plano de saúde com a hospitalização. Também foi realizado um estudo transversal de base populacional com 1.593 idosos (de 60 anos ou mais) residentes na zona urbana do município de Bagé, Rio Grande do Sul.
Chegou-se à conclusão de que a multimorbidade aumentou a ocorrência de hospitalizações. Em 2008, nas áreas cobertas pela atenção tradicional, a prevalência de hospitalização de idosos com plano de saúde foi de 19,2% entre os com multimorbidade e 10,1% entre os sem multimorbidade. Para os idosos sem planos de saúde e no mesmo modelo de atenção tradicional, a prevalência de hospitalização foi de 18,6% entre os com multimorbidade e de 10,0% entre os sem multimorbidade. No mesmo ano, em áreas cobertas pela Estratégia Saúde da Família (ESF), os idosos com plano de saúde e multimorbidade representaram 26,6% e os sem multimorbidade, 20,6%. Entre os idosos com a ESF e sem plano de saúde, a prevalência foi de 15,5% entre os com multimorbidade e 7,6% entre os sem multimorbidade. O estudo revelou que essa disparidade da taxa de internação está relacionada ao acesso que o paciente está tendo aos serviços de saúde e não ao programa de prevenção da saúde do sistema em que os idosos estão inseridos. O sistema de saúde privado concede maior acesso à população do que o público devido a oferta de leitos hospitalares.
Programa Idoso Bem Cuidado da Unimed Goiânia
Espaço Sinta-se Bem
A Unimed Goiânia desenvolve o Programa Idoso Bem Cuidado voltado para a assistência médica das doenças crônicas e do paciente idoso. O principal objetivo é o cuidado coordenado por meio da Atenção Integral à Saúde, resultando no tratamento do paciente como centro das ações (patiente centered). O atendimento é feito por uma equipe multiprofissional, que apoia as condutas dos médicos assistentes e dos especialistas.
Breno de Faria
"Queremos trazer para a Cooperativa os melhores modelos de cuidado e de gerenciamento de condições crônicas para o idoso. Por isso, a Unimed Goiânia recentemente aderiu a esse Programa, que é da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS)", explica o presidente da Unimed Goiânia, Breno de Faria.
Antes de aderir a essa iniciativa nacional, a instituição desenvolvia, no âmbito de seu Programa de Atenção à Saúde (PAS), o programa de Gerenciamento de Pacientes Crônicos, que foi alinhado aos módulos de Educacão Médica Continuada para oferecer treinamentos específicos voltados para os cooperados e cooperadas. As atividades são desenvolvidas no novo Espaço Sinta-se Bem.
Atualmente, no Brasil, as Doenças Crônicas Não Transmissíveis (DCNT) são responsáveis pela maior parte das enfermidades, juntamente aos transtornos neuropsiquiátricos. Segundo o relatório da Organização das Nações Unidas (ONU) de 2015, as mortes prematuras por doenças crônicas não transmissíveis são, em sua maioria, evitáveis. Dados de 2012 demonstram que cerca de 40% dos óbitos por condições crônicas prematuras poderiam ter sido evitados.
José Garcia
Segundo o diretor de Recursos e Serviços Próprios II, José Garcia, cada cooperado pode contribuir com os programas desenvolvidos pela Cooperativa, que "têm muito a acrescentar em termos de qualidade de saúde para nossos beneficiários, bastando indicar seus pacientes", afirma.