Artigo de autoria do diretor Financeiro da Unimed Goiânia e diretor Comercial e de Marketing da Central Nacional Unimed, Sizenando da Silva Campos Jr., foi publicado na edição do dia 21 de maio do jornalDiário da Manhã, na coluna Opinião Pública. Os aspectos relacionados à sustentabilidade da saúde suplementar e as mudanças das características da população brasileira são analisados como desafios a serem superados.
Veja abaixo a íntegra do texto:
Em 2019, a saúde suplementar brasileira continuará enfrentando grandes desafios e muitas dificuldades para manter o equilíbrio econômico, financeiro e operacional. O aumento de custos assistenciais permanecerá como fator preponderante nesse mercado, uma vez que suas causas estruturais de expansão perduram, especialmente nesse momento em que vivemos uma nova fase da crise mundial iniciada em 2008.
Segundo o Instituto de Estudos de Saúde Suplementar (IESS), as causas para o aumento desses custos são o envelhecimento populacional, os preços de materiais e medicamentos em alta e a constante atualização das coberturas previstas no rol da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS).
Sabemos que o perfil da sociedade brasileira mudou. A chamada "era da velocidade" impõe um ritmo acelerado para os chefes de família, homens e mulheres, que passam a se equilibrar num ininterrupto jogo de cintura entre o cotidiano de trabalho, os afazeres domésticos, os filhos e o trânsito. Essa transformação cultural também afetou diretamente o mercado da saúde suplementar no Brasil.
A vida mais corrida fez com que as condições de saúde passassem a ser tratadas, em grande parte, às pressas. Saiu de cena o antigo médico da família, bom conhecedor do histórico de seus pacientes, e tornou-se comum ir aos atendimentos de urgência e emergência dos grandes hospitais em busca de uma cura imediata, do alívio para dor, tosse, febre, etc. Este modelo de atendimento hospitalocêntrico contribui para o crescimento dos custos de um sistema já sobrecarregado. Não é à toa que o retorno ao modelo de medicina da família esteja na ordem do dia, e multiplicam-se iniciativas similares, inclusive no Sistema Nacional Unimed.
Quando a Lei dos Planos de Saúde foi decretada, há mais de 20 anos, a realidade do envelhecimento da população ainda parecia algo distante. Em 2010, o País tinha cerca de 131 milhões de pessoas com idades entre 15 e 65 anos, e quase 14 milhões acima dessa faixa etária, ou seja, cerca de dez vezes mais jovens do que idosos.
Conforme as projeções do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), essa diferença deve cair para sete vezes em 2020 e cinco em 2030. No ano de 2050, espera-se que o Brasil possua uma população de 138 milhões de pessoas entre 15 e 65 anos e quase 50 milhões acima dos 65. E este cenário evoluirá como uma bola de neve: quanto mais idosos, maior o uso dos planos de saúde e o total dos custos envolvidos.
Precisamos investir, como já está sendo feito na própria Central NacionalUnimed(CNU) e em diversas Singulares do Sistema, entre elas aUnimed Goiânia, minha cooperativa de origem, para que os beneficiários de hoje tenham mais qualidade de saúde e de vida por mais tempo e, consequentemente, adoeçam menos no futuro.
De acordo com a recente Nota de Acompanhamento de Beneficiários (NAB) do IESS, publicada em outubro, o total de beneficiários de planos de saúde com 59 anos ou mais aumentou 2,5% entre agosto de 2017 e agosto de 2018, o que representa 164,5 mil novos vínculos. No mesmo período, o número de beneficiários com até 18 anos caiu 0,6%, o que significa 66,5 mil vínculos rompidos. Além disso, 98 mil beneficiários com idade entre 19 e 58 anos também deixaram os planos. Uma retração de 03%.
Já a variação dos custos médico-hospitalares dos planos individuais (VCMH), de 16,9% para o período de 12 meses (encerrado em março de 2018), têm se mantido superior à variação da inflação geral (IPCA), que foi de 2,7% para o mesmo período. Esse índice, somado ao cenário acima, gera preocupação com a sustentabilidade do setor, principalmente num período de baixo crescimento econômico, com lenta criação de emprego.
São esses os principais desafios colocados para Central NacionalUnimede todo o Sistema Unimed: a superação de um mercado adverso e a manutenção da solidez econômica conquistada pelo bom trabalho de seus cooperados e por gestões colegiadas responsáveis, que investem cada vez mais em boas práticas de governança. A participação no desenvolvimento socioeconômico do Brasil atesta nossa capacidade geradora de milhares de empregos diretos e indiretos, responsáveis pela sobrevivência de quase todas as empresas que integram as redes prestadoras espalhadas por todo o País.
Por isso, a famosa frase do químico francês, Antoine Laurent Lavoisier, "na natureza nada se cria e nada se perde, tudo se transforma'', nunca foi tão atual para indicar o caminho da sustentabilidade.