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População desconhece doenças reumáticas






O número é supreendente: de 15 a 20 milhões de brasileiros sofrem de algum tipo de doença reumática. Mais surpreendente ainda é saber que a grande maioria das pessoas não tem idéia do que são e o que representam estas enfermidades, conhecidas genericamente como reumatismo. Dentre as 108 existentes, uma chama a atenção dos especialistas pelo crescimento do número de casos e pelo avanço da medicina, a artrite reumática.

As doenças reumáticas foram debatidas no XXV Congresso Brasileiro de Reumatologia, realizado de oito a 11 deste mês, no Rio de Janeiro. Com um tema abrangente, Reumatologia de hoje: da Patogenia ao Tratamento, o encontro de especialistas e laboratórios serviu para alertar sobre o fato de que o Brasil convive cada vez mais com esse tipo de problema, em função do aumento da expectativa de vida da população, ao mesmo tempo em que está longe de entendê-lo.

"A Organização Mundial da Saúde-OMS decretou que esta é a década do osso e da articulação, mas pouca gente sabe que as doenças reumáticas são causadoras de incapacidade física e têm um custo econômico muito grande", explica Geraldo Castelar, presidente do XXV Congresso de Reumatologia e membro da Sociedade Brasileira de Reumatologia.

Segundo o médico, a falta de informação é um dos entraves para o combate aos problemas. "O paciente acha que qualquer dor nas articulações é reumatismo. Ele desconhece as causas dos problemas e que os tratamentos nunca são curativos", explica o dr. Castelar.

O atual presidente da Sociedade Brasileira de Reumatologia (empossado durante o Congresso), Fernando Cavalcanti, orienta que as pessoas devem ficar atentas aos sintomas das doenças reumáticas:"Dores articulares por mais de seis semanas, acompanhadas de outros sintomas como vermelhidão, inchaço e queimação persistentes podem indicar alguma doença reumática".

Um outro agravante relacionado a esses tipos de doenças é que as pessoas demoram a diagnosticá-las. "Entre o começo da dor articular até que a pessoa encontre o tratamento leva de dois a quatro anos", contabiliza, por sua vez, o ex-presidente da SBR, Caio Moreira. "A desinformação favorece este atraso", complementa Castelar.

Até descobrir que tem alguma doença reumática e por estar desinformada, explica o dr. Fernando , o paciente procura desde o clínico geral até médicos de outras especialidades, como o ortopedista. "É normal que ele procure o clínico geral, por exemplo, mas é importante que, no caso de uma patologia de caráter crônico, estes clínicos procurem ouvir um reumatologista, que vai ajudar na avaliação do problema", garante ele.

 
Faltam reumatologistas na rede pública de saúde

O pequeno número de reumatologistas no País reflete-se na saúde pública. "Apesar de termos estes especialistas em todo o País, o quadro é muito reduzido em hospitais e postos da rede pública. O Estado de Pernambuco, por exemplo, tem apenas três", garante Fernando Cavalcanti, presidente da Sociedade Brasileira de Reumatologia.

Isto se explica, segundo ele, porque a política do Ministério da Saúde é contratar clínicos gerais. E é por isso que a SBR está tentando, de acordo com o dr. Cavalcanti, uma negociação junto ao Ministério para treinar os clínicos gerais, no campo da reumatologia, em todos os postos de saúde do País.

O presidente da SBR acredita que a população tem um papel de suma importância para que a saúde pública ofereça um melhor tratamento para os pacientes com doenças reumáticas. "Organizadas, estas pessoas podem exigir seus direitos", argumenta.

O dr. Fernando Cavalcanti explica que a situação dos medicamentos nessa área, para quem não tem dinheiro, é um pouco complicada, principalmente no que diz respeito aos novos medicamentos. "Estes são muito caros e poucos estão acessíveis no SUS. Contudo, mesmo os medicamentos tradicionais andam meio em falta ou estão em quantidade limitada nas prateleiras dos postos e hospitais públicos", afirma o médico.

Alguns desses medicamentos mais caros estão sendo conseguidos em alguns estados brasileiros via medida judicial.

Enquanto o Ministério da Saúde não baixa uma portaria viabilizando as caras novidades farmacológicas do mercado para quem não tem como comprá-las, resta à população se prevenir das doenças reumáticas.

Os especialistas da Sociedade Brasileira de Reumatologia sugerem que as pessoas procurem uma alimentação mais equilibrada e à base de cálcio (o leite desnatado é rico desta fonte), mantenham atividades físicas regulares e procurem fazer exames médicos para detectar a chegada das enfermidades ligadas aos ossos e articulações.

Avanços surpreendem especialistas

As doenças reumáticas, também conhecidas como enfermidades do tecido conjuntivo, são um grupo heterogêneo de problemas baseados em inflamações proporcionadas pela desregulação de nosso sistema imunológico. É quando os anticorpos, responsáveis pela defesa do nosso organismo, produzidos em excesso acabam se acumulando em alguma parte de nosso corpo, trazendo várias complicações.

Entre as doenças reumáticas mais comuns estão a artrite reumática, a artrose, o lupus, a osteoporose, a fibromialgia e, em menor escala, a febre reumática. Para todas elas, a medicina vem tentando soluções e tratamentos que ajudem a melhorar a qualidade de vida daqueles que as possuem.

Durante o XXV Congresso de Reumatologia, os especialistas apresentaram alguns desses avanços. Um deles é um medicamento antiartrósico que utiliza duas substâncias naturais encontradas na cartilagem, que são a glicosamina e a condroitina. Juntas, elas ajudam a produzir exatamente a cartilagem que a artrose "come" provocando o atrito de osso com osso e, conseqüentemente, a dor.

No caso da artrite reumática, uma das doenças reumáticas mais sérias, duas novidades chamaram a atenção dos médicos: um novo teste de sangue, chamado de ANTI-CCP, e novos agentes biológicos, remédios que inibem a inflação.

A artrite reumática ocorre quando os ossos e a cartilagem são destruídos lentamente, provocando dor, inchaço, vermelhidão e queimação nas articulações, principalmente as dos dedos dos pés, das mãos, e, ainda as das mãos, dos pés e do pulso. Calcanhar, joelho e cotovelo também podem ser atingidos.

O ANTI-CCP é um teste de sangue que detecta a presença de anticorpos no sangue. "Este exame está sendo utilizado no mundo inteiro há dois ou três anos. No Brasil é mais recente, mas já pode ser visto em todas as regiões. É o mais sensível para verificar com precocidade a existência da artrite reumática. E essa precocidade é importante para evitar que a doença cause danos maiores às articulações ou mesmo que ela passe a atingir outras articulações", afirma o dr. Geraldo Castelar.

A outra novidade na área são os medicamentos inibidores do chamado TNF, o fator de necrose tumoral, substância envolvida na inflamação das juntas. E entre eles, uma das novidades mostradas no congresso, é o Humira, do laboratório Abbot.

A diferença do Humira para os similares, explicam os especialistas, é que este é o único que usa um anti-corpo monoclonal que é totalmente humano, ou seja, são proteínas reconhecidas pelo organismo humano que ajudam no controle da inflamação da artrite. Por serem monoclonais, estas proteínas não sofrem reações adversas do corpo, ajudando no tratamento da doença.

Medicamentos como o Humira são utilizados, contudo, apenas naqueles pacientes que não reagem aos tratamentos e remédios convenionais. Outros que têm sistema parecido, que buscam inibir o TNF, mas não utilizam anti-corpos totalmente humanos, são o Embrel e o Remical.

Fonte: Jornal de Brasília
14/10/04

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