O uso de ultra-som de baixa intensidade reduz pela metade o tempo de recuperação de fraturas ósseas em portadores de diabetes. A eficiência da técnica foi comprovada em experiências com ratos realizadas pela pesquisadora Jusciléa Barbosa, descritas em sua dissertação de mestrado apresentada na Escola de Engenharia de São Carlos (EESC) da USP. O trabalho foi orientado pelo professor da EESC, Luiz Duarte.
Segundo o professor, o diabetes altera a composição dos hormônios e células responsáveis pela produção de ossos e tecidos, complicando a recuperação de fraturas. "Mesmo a cicatrização de um arranhão ou de uma extração de dentes é mais demorada", explica Duarte. "O ultra-som serve como estímulo para acordar células semi-adormecidas, que servem de matriz para remodelar a lesão."
O Processo
As ondas de ultra-som são produzidas por um aparelho portátil dotado de um cristal piezelétrico de titanato-zirconato de bário, com 1 milímetro de espessura. "Um oscilador produz a freqüência necessária para gerar as ondas, de 1,5 Mhz, que é transmitida ao cristal por meio de eletrodos", descreve o professor. "Por meio de um gel, as ondas se propagam na área da lesão."
De acordo com Luiz Duarte, a técnica também pode ser usada em seres humanos, com os mesmos períodos de tratamento. "O tempo de recuperação de fraturas pode ser reduzido à metade."
Luis Duarte diz que a técnica já é normal nos serviços de saúde dos Estados Unidos, Canadá, Inglaterra, França, Bélgica, Holanda, Alemanha, Itália, Israel, Japão e Hong-Kong, mas ainda é pouco utilizada no Brasil.
Segundo o professor, o ultra-som também pode ser usado para tratar queimaduras, feridas, úlceras crônicas de pele e cicatrizar incisões cirúrgicas. "As ondas estimulam a formação de vasos sanguíneos, fazendo com que o tecido sadio ocupe a área lesada."
Fonte: Agência USP
14/04/2005