Além da determinação, o governo uruguaio está divulgando no país uma campanha na mídia cujo lema é "Uruguai livre do fumo de tabaco". O objetivo é mostrar que o hábito de fumar está associado ao surgimento de diversas doenças crônicas.
Para assegurar o cumprimento da medida, o governo uruguaio multará em US$ 1.000 os proprietários de bares ou estabelecimentos dos mais diversos -sejam shoppings, escritórios, táxis, cassinos, boates, ginásios, academias de tango, corredores de prédios, escadas e elevadores- que forem flagrados com clientes ou freqüentadores fumando.
No caso dos prédios residenciais ou comerciais, a multa recai sobre o condomínio.
A capital uruguaia, com seus 1,5 milhão de moradores, será apenas o ponto de partida para a fiscalização, em um país de 3,4 milhões de habitantes.
Outros centros urbanos também serão fiscalizados com intensidade nos próximos dias.
Em razão da nova determinação, os espaços públicos uruguaios tiveram de abandonar os cinzeiros e colocar em suas paredes cartazes com os dizeres ""Proibido fumar" e ""Ambiente 100% livre do fumo de tabaco".
Presidente médico
O presidente do Uruguai é o médico oncologista (especialista em câncer) Tabaré Vázquez, 66. Desde que assumiu a Presidência, em março do ano passado, Vázquez tem procurado conciliar o cargo com a atividade médica, atendendo aos pacientes mais tradicionais do consultório.
O objetivo, segundo Vázquez, é reprimir e educar, seguindo um dos seus principais compromissos na área da saúde pública. A proibição faz parte da campanha ""un millón de gracias" (um milhão de agradecimentos ou graças), pela qual se busca erradicar o hábito do fumo no Uruguai.
Os índices oficiais dão razão às preocupações com o tabaco: 5.500 mortes anuais são atribuídas ao hábito do fumo no país, em razão de doenças por ele causadas. Levando-se em conta a quantidade de habitantes, tal dado é tido como alarmante.
Outro dado oficial dá conta de que o número de fumantes no Uruguai chega a cerca de 1,2 milhão de pessoas -o que representa um terço da população total.
Fonte: Folha de São Paulo
02/03/2006