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Farmácia vende pomada sem registro






Uma farmácia de manipulação que fica em Foz do Iguaçu, no Paraná, está comercializando de maneira irregular e sem receita médica uma pomada para o tratamento de vitiligo -doença causada pela despigmentação da pele. A pomada não possui registro na Anvisa e, segundo especialistas, não tem eficácia comprovada.

A divulgação da pomada ganhou força no site de relacionamentos Orkut, em uma comunidade sobre vitiligo. Cerca de 160 pacientes relatam como conseguiram melhorar e até curar o vitiligo usando a "pomada de Foz". Informam também os contatos da farmácia e como adquirir o produto.

O músico Paolo Vinícius Martineli Paes, 21, foi um dos primeiros a usar e a divulgar a pomada. "Liguei na farmácia e encomendei. Eu sabia que a pomada não tinha registro, mas precisava arriscar. Não me pediram receita médica, apenas o endereço de onde seria feita a entrega. Comprei e não me arrependo. A pomada me curou."

Assim como ele, a locutora de rádio Gislane Ferreira, 26, também resolveu apostar na eficácia da pomada mesmo sabendo que o produto não é registrado e sem precisar de receita médica. "É um tiro no escuro, mas faço qualquer coisa para resolver o meu problema."

A fórmula da pomada -que contêm macadâmia, uréia, vitaminas A e E, ácido salicílico, ester decil, ácido oleico e lanete- foi desenvolvida pela farmacêutica e bioquímica Cristina Moreira, proprietária da Farmácia Viva Flora.

Segundo médicos dermatologistas, nenhum dos componentes que integram a fórmula tem ação comprovada nos melanócitos (células que vão fabricar a melanina, que é responsável pela pigmentação da pele).

"O lanete é o creme. O ácido salicílico é que vai fazer a pele descascar. O ácido oleico e a uréia funcionam como hidratantes. As vitaminas são oxidantes, e a macadâmia é um óleo. Nenhum desses componentes tem relação com doenças auto-imunes. A não ser que existam outros componentes na fórmula, como corticóides, que não sejam declarados", afirmou Marcus Maia, dermatologista da Santa Casa.

O dermatologista Cyro Festa Neto, professor da USP, também questiona a eficácia da pomada. "Todo tratamento precisa de comprovação científica. Sem isso, os médicos não podem se comprometer a receitar esse produto", disse.

José Augusto Simi, gerente de controle e fiscalização de medicamentos da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), afirmou que a pomada está sendo comercializada clandestinamente.

"Uma farmácia de manipulação não pode criar fórmulas próprias e funcionar como uma pequena indústria. Ela não tem autonomia para isso e só pode manipular receitas prescritas pelos médicos."

Segundo o gerente da Anvisa, a farmácia está cometendo uma infração sanitária, prevista na legislação federal. A punição pode ir desde uma advertência até multas que chegam a R$ 1,5 milhão. O local também pode ser interditado.

Fonte: Folha de São Paulo
05/07/2006

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