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Controle da infecção hospitalar começa pela higienização das mãos







Manifestada durante a internação do paciente ou após a alta, a infecção hospitalar decorre do contato com o ambiente hospitalar ou em virtude de procedimentos invasivos, como cirurgias e perfurações por agulhas de soros e cateteres.  Estudos realizados pelo Centro para Controle de Doenças de Atlanta (EUA) mostram que a infecção hospitalar prolonga a permanência de um paciente no hospital por, pelo menos quatro dias, ao custo adicional de 1.800 dólares, o que equivale a R$ 3,6 mil.

Medidas simples de prevenção, como a higienização das mãos dos profissionais que lidam diretamente com o paciente (médicos e profissionais de enfermagem, principalmente) e a boa conservação do ambiente, diminuem sensivelmente a incidência e a gravidade das infecções hospitalares. ¿A higienização das mãos é a medida preventiva mais importante e a de menor custo no controle das infecções¿, defende o diretor da Anvisa, Cláudio Maierovitch. Para o diretor, a adesão à prática ainda é baixa. ¿Por isso, os profissionais devem ser estimulados a praticá-la constantemente¿, completa Maierovitch.

A Organização Mundial de Saúde (OMS), por meio do programa Aliança Mundial Para a Segurança do Paciente, estabelece diretrizes e estratégias para incentivar, em diferentes países, a prática de lavagem correta das mãos. Em consonância com as orientações da OMS, a Anvisa elaborou a cartilha ¿Higienização das Mãos em Serviços de Saúde¿, que visa esclarecer e sensibilizar os profissionais de saúde para a importância desta prática.

O lançamento da publicação aconteceu ontem, 14 de maio de 2007, durante a Oficina Nacional de Controle de Infecção em Serviços de Saúde. O encontro, que vai até a próxima quarta-feira (16), reúne, em Brasília, coordenadores das Comissões de Controle de Infecção Hospitalar (CCIHs) das secretarias estaduais de Saúde. Exemplares da cartilha serão enviados, por solicitação, aos serviços de saúde de todo o país. 

Para o membro do Comitê de Antimicrobianos da Sociedade Brasileira de Infectologia e Coordenador da CCIH do Hospital do Servidor Público do Estado de São Paulo, Renato Grinbaum, a baixa adoção da prática de higienização das mãos se deve muito mais à inadequação das estruturas hospitalares do que à falta de disposição dos profissionais. ¿Muitas vezes, a sobrecarga de trabalho ou a quantidade insuficiente de pias e insumos (sabão, água e álcool) dificulta o hábito¿, avalia Grinbaum.

Na avaliação do infectologista, outra dificuldade é o uso de insumos de baixa qualidade. ¿Produtos que causam irritação ou processos alérgicos acabam fazendo com que o profissional crie uma barreira àquela prática, lavando a mão menos vezes do que deveria¿, completo Renato Grinbaum.

 Quadro do controle de infecção hospitalar no Brasil

- No Brasil, o controle de infecções hospitalares começou a ser aprimorado por meio da Portaria 196/83 do Ministério da Saúde. 

- Em 1997, o Programa Nacional de Controle de Infecção Hospitalar é delineado pela Lei 9.431, que obriga os hospitais a criarem uma comissão permanente de controle das infecções hospitalares, e pela Portaria 2616/98 do Ministério da Saúde. Pela lei, as comissões permanentes devem ser compostas por representantes dos médicos, enfermeiros e da administração hospitalar. Nos hospitais de maior porte, também devem ser incluídos os representantes dos laboratórios de microbiologia e das farmácias hospitalares.

- Em 2000, um ano após a criação da Anvisa, apenas 12 estados brasileiros possuíam comissões estaduais de controle de infecção. No fim de 2002, os 26 estados e o Distrito federal já haviam reorganizado suas comissões. 

- Pesquisa da Anvisa realizada em parceria com a Faculdade de Saúde Pública da USP e divulgada em 2006 analisou a realidade funcional de 4.148 hospitais do país e revelou que 76% deles (3152) possuem comissões de controle de infecção hospitalar. A vigilância das infecções hospitalares é realizada em 77% das instituições (3194) e 49% dos hospitais (2012) desenvolvem programas permanentes de controle. Porém, apenas 33% deles (1356) adotam medidas de contenção de surtos.

- Estudos internacionais revelam que a existência de um programa de controle de infecção hospitalar dentro dos serviços de saúde reduz em 30% a incidência desses agravos. 

- Segundo a Pesquisa da Assistência Médico-Sanitária divulgada pelo IBGE em 2006, no Brasil 4.578 estabelecimentos de saúde, com serviço de internação, possuem Comissão de Controle de Infecção Hospitalar, sendo 1.427 públicos e 3.151 privados.

 

Fonte: Ministério da Saúde

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